29.2.08
MEU VOTO É DELE
Lula disse esta semana que o equilíbrio das contas externas brasileiras contou com uma "ajudazinha de Deus". Eis, portanto, uma excelente opção de voto para as próximas eleições: todo-poderoso na cabeça.
EVOLUÇÃO
Os sonhos mudam com o tempo. Antes, o cidadão sonhava apenas em ser indicado para um cargo comissionado no serviço público. Hoje, além do cargo, sonha em ser agraciado também com um cartão de crédito corporativo.
SERÁ QUE AGORA VAI?
Finalmente, o governo resolveu tirar as nádegas da cadeira e está propondo alterações na lei para tentar diminuir a violência no trânsito. Aleluia, pois faz tempo que as estatísticas nos mostram que o trânsito mata muito mais que as guerras e os atentados terroristas.
Entre as novas regras propostas, criminalizar os excessos de velocidade é uma medida que considero acertada. Nossas ruas e estradas não são pistas de corrida e não dá mais para tolerar que alguns motoristas irresponsáveis não sejam severamente punidos quando colocam a vida de outras pessoas em risco.
E no embalo dessas novas regras, proibiu-se também a venda de bebidas alcoólicas às margens das rodovias federais. Sinceramente? Dessa regra eu não gostei e considero injusta e ineficaz. Injusta porque prejudica o negócio de comerciantes instalados à beira dessas rodovias e pune por tabela os cidadãos não-motoristas, ou seja, os passageiros que mesmo não estando ao volante são impedidos de exercerem o livre direito à cidadania.
Continuo acreditando que não são as bebidas alcoólicas as grandes vilãs do trânsito e sim a falta de consciência e educação dos motoristas - que, mesmo sabendo dos riscos, teimam em dirigir alcoolizados. Pois se proibir a venda de bebidas fosse a melhor das medidas, a regra deveria então ser estendida às cidades também porque em nossas ruas e avenidas cruzamos diariamente com motoristas embriagados e mal educados.
No meio de tantas novas regras, tem uma que particularmente considero a mais eficaz de todas. Trata-se da proposta de aumentar o valor das multas. Bingo! Dizem que as pessoas só mudam por amor ou dor. Sendo assim, a gente está careca (força de expressão) de saber que a melhor forma de educar o brasileiro é mexendo aonde ele mais sente dor: no bolso.
posted by JOSÉ DANIEL HELDT at 6:26 PM
22.2.08
CPI - UM ASPECTO IMPORTANTE
Se ainda não é possível prever qual será o resultado da CPI das Apostilas, ao menos para duas coisinhas a instalação da comissão já serviu: tirar do marasmo os trabalhos do Legislativo e, principalmente, colocar em discussão a qualidade do ensino municipal.
Em nível estadual, a gente já está careca (força de expressão) de saber que o ensino não anda bem das pernas e os resultados das últimas avaliações comprovam essa tendência. Agora, em nível municipal, a fala da educadora da USP, Lizete Arelaro, alertou para a "precariedade pedagógica" do material sob investigação e ainda colocou em xeque o sistema de apostilamento do ensino ao concluir que "se conseguirmos desestimular os municípios a adotar as apostilas já estaremos contribuindo para a educação do País".
Imagino que não se esperava tanto da educadora convidada, mas somente a confirmação dos erros já publicamente apontados no material. Entretanto, como trouxe à baila a dúvida sobre a necessidade do Poder Público transferir suas responsabilidades educacionais a terceiros, penso que é a hora certa de colocar o tema para ser amplamente discutido pela sociedade. Este e outros mais. Gente e profissionais competentes para isso não faltam por aqui.
TOFRÉU PARA TODOS
Quero crer que o assunto principal neste final de semana é a badalada cerimônia de entrega do Oscar, troféu da academia americana de cinema. Com direito a tapete vermelho, mulheres lindíssimas (homens nem tanto) e elegantérrimas. Uau! Um luxo só!
Já na semana passada, em outra cerimônia, o filme "Tropa de Elite" foi premiado merecidamente com o troféu Urso de Ouro no festival de cinema de Berlim. Dez anos atrás, em 1998, outro filme brasileiro, "Central do Brasil", também foi premiado com esse mesmo troféu.
Como se sabe, troféu é um objeto entregue normalmente aos vencedores de uma competição. E há vários tipos de troféus, tanto na forma como na função a que se destinam. Os mais comuns são as estatuetas e taças. Tem também as medalhas, as placas e aqueles em forma de canudo, uma honraria entregue em solenidade de formatura às pessoas que vencem uma das etapas do ensino.
Tem até troféu que não é entregue, acredita? São aqueles em forma de malas de dinheiro, tomados de assalto pelos corruptos. A esse tipo de gente, meu desejo é que um dia também lhes seja entregue, pelas mãos da polícia, um outro tipo de prêmio: o Troféu Algemas de Aço.
Já inventaram troféu para quase todos os tipos de situação. E cada um de nós recebe o troféu que merece. Eu mesmo carrego sempre comigo os que já assumi há tempos e que podem ser chamados de troféus do Eleitor Brasileiro. Um deles é um vermelhíssimo nariz de palhaço, um troféu que a gente passa a ter direito quando escuta as promessas dos políticos em ano de eleição. O outro - em forma de banana - recebe-se nos quatro anos que se seguem durante o governo de quem elegemos.
Mas não ria dos meus troféus não, pois se você é eleitor também tem direito a recebê-los. Com louvor.
posted by JOSÉ DANIEL HELDT at 6:11 AM
1.2.08
NÃO BATA PALMAS PARA A MISÉRIA
O sistema educacional brasileiro continua preocupante. Já comentei aqui sobre o desempenho medíocre alcançado pelo Brasil no Programa Internacional de Avaliação de Alunos, quando as notas dos estudantes brasileiros colocaram o País entre os últimos colocados em matemática, leitura e ciências. Dias atrás, outra má notícia: segundo estudos da Presidência da República, baseado em pesquisa do IBGE de 2006, um em cada cinco jovens entre 18 e 29 anos deixa a escola antes de completar o ensino fundamental.
A notícia é desastrosa, principalmente quando há previsão de uma demanda adicional no mercado de trabalho de 400 mil novos técnicos até 2010, segundo estudos da Confederação Nacional da Indústria (CNI). E tem coisa que imagino ser ainda pior, pois entre os alunos que concluem o ensino fundamental é fácil encontrar jovens que mal sabem escrever o próprio nome ou realizar uma simples operação matemática. São analfabetos oficialmente diplomados. E se não sabem ler, com certeza têm sérias dificuldades para entender as leis e as informações que chegam a todo o momento pelos diversos meios de comunicação. Mesmo assim, têm o direito a escolher pelo voto quem trabalhará (força de expressão) por eles. Desconfio até que são eles que trazem de volta à vida pública aqueles políticos que - de forma covarde - renunciam aos mandatos para escapar de serem cassados quando acusados de corrupção.
O cidadão mal informado é presa fácil nas garras dos políticos espertalhões. Por serem mal formados e mal informados, são muitas vezes ingênuos a ponto de se conformar com as ações populistas anunciadas pelos governos como solução para os grandes temas sociais. Falo, por exemplo, das tais bolsas-esmolas.
Imagino, entretanto, que há um lado perigoso numa sociedade composta por cidadãos mal informados e que deveria ser observado com maior carinho por nossos governantes. É que um belo dia, quem imagina que é mais fácil governar e controlar uma população de analfabetos, pode ter uma surpresa desagradável. E a resposta dessa sociedade de ingênuos pode brotar a qualquer momento de forma enraivecida, semelhante à que ocorreu numa piadinha que me contaram:
"Durante um show da banda U2, o vocalista Bono Vox, conhecido por sua preocupação com as causas sociais, pediu silêncio ao público e começou a bater palmas compassadamente. E disse no microfone:
- Eu quero que vocês pensem em algo muito sério. Para terem uma idéia da miséria no mundo, a cada batida das minhas mãos uma criança morre de fome na África.
Bono mal acabou de falar e alguém da arquibancada gritou furioso:
- Então pára de bater palmas aí, ô seu filho da p...!"
RECALL DE HONESTIDADE
Sinceramente? Não estou nem um pouco preocupado com a penca de erros nas apostilas adquiridas pela prefeitura. Se um dromedário é confundido com um camelo ou um retângulo é chamado de quadrado, conserta-se facilmente com um recall no material mal elaborado. O foco principal da CPI, entretanto, deve ser o de comprovar a lisura na celebração do contrato. Se atestada pela CPI, será para nossos jovens um exemplo saudável de honestidade no trato com o erário. Deus me ouça, pois aí não se aceita recall.
posted by JOSÉ DANIEL HELDT at 6:16 PM
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